Domingo, 19 de Agosto de 2007


Saudades


Saudades! Sim... talvez... e porque não?...Se o nosso sonho foi tão alto e forteQue bem pensara vê-lo até à morteDeslumbrar-me de luz o coração!
Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!Que tudo isso, Amor, nos não importe.Se ele deixou beleza que conforteDeve-nos ser sagrado como pão!
Quantas vezes, Amor, já te esqueci,Para mais doidamente me lembrar,Mais doidamente me lembrar de ti!
E quem dera que fosse sempre assim:Quanto menos quisesse recordarMais a saudade andasse presa a mim!


Florbela Espanca